Problemas no Diagnóstico da Disponibilidade do Fósforo (“P”) no Solo

Melhores diagnósticos sobre a fertilidade dos solos só serão conseguidos se nas amostragens forem contempladas as variabilidades horizontal e vertical.

diagnostico-solo

No processo de produção agrícola os resultados nem sempre são quantificados pela produção, ou seja, antes de se pensar em aumento da produtividade, vale lembrar, que este desafio esta na dependência de fatores biológico e como tal, pode ser representado por uma equação que envolve mais de 50 componentes (bióticos e abióticos) como fatores de produção. Além disso, o sistema é de uma indústria a “céu aberto”, neste contexto é inconcebível praticar essa atividade sem um critério diagnóstico a fim de minimizar os efeitos negativos de alguns dos fatores de produção. Qualquer conduta diferente é meramente casuística saindo do contexto da Engenharia Agronômica. Portanto, avaliar a disponibilidade dos nutrientes para as plantas, torna-se uma das poucas técnicas agronomicamente disponível que permite a intervenção para favorecer o sinergismo entre os componentes da equação de produtividade.

Não se obterá respostas a fertilização dos solos se os outros “fatores de produção” apresentarem-se limitantes. Por outro lado, se uma limitação por nutrientes for detectada, com toda certeza, estar-se-á minimizando os efeitos negativos da não aplicação desse elemento. Dessa forma, ao fertilizar não se deve esperar respostas em aumento da produtividade mas, talvez, corroborará para melhorar a performance do estado nutricional, com reflexos na saúde vegetal. Para um diagnóstico mais acurado do “ambiente de produção” há que se considerar a viabilidade espacial dos nutrientes no solo.

Balanço nutricional

Para ocorrer o crescimento vegetal é necessário que o total da concentração dos cátions inorgânicos (NH4+, Ca2+, Mg2+, K+, Na+) seja superior ao total da concentração de ânions inorgânicos (NO3-, H2PO4-, Cl, SO4=). Portanto, o resultado final no acúmulo em matéria seca pelas plantas, durante seu ciclo de vida, será uma resultante dos efeitos cumulativos de diluição e concentração no balanço de íons. Assim sendo, esta se falando em grupo de íons e não de um íon específico. É equivocado pensar em manejo individual de nutrientes (como por exemplo: resposta a P, etc.). Outro aspecto importante é a ideia, errônea, que se aplica nas lavouras, como sendo o solo um reservatório de tudo aquilo que pode se dispor para fazer estoque (Wastebasket of the Earth). Na Biologia a ideia do quanto mais, melhor, nunca foi e nunca será verdadeira, como pode ser visto no Quadro 1, onde a área declarada como deficiente apresenta-se com teores muito mais elevados em Fósforo, em relação à outra designada como “Boa”.

QUADRO 1 - RESULTADO DE ANÁLISE QUÍMICA DE TERRA

QUADRO 1 – RESULTADO DE ANÁLISE QUÍMICA DE TERRA

Apesar dos solos tropicais apresentar componentes mineralógicos com alta afinidade de interação química com o P-solúvel, nunca se esqueça que o que esta em jogo é o P na planta e não, somente, o P no solo.

Variabilidade espacial da fertilidade do solo

Um programa de fertilização do solo assemelha-se a um diagrama de blocos interdependentes, onde o resultado do “todo” depende das etapas anteriores e da qualidade das partes componentes. Portanto, nessa inter-relação de fases, fica evidente que a amostragem é o ponto de partida para início do programa, sendo, não raro, encontrar citações de autores que atribuem 85% do erro total a essa etapa, os 15% restantes, estariam distribuídos nos processos seguintes, conforme segue:

PROGRAMA DE FERTILIZAÇÃO DO SOLO

PROGRAMA DE FERTILIZAÇÃO DO SOLO

O objetivo é que resultado da análise química revele o verdadeiro estado do nutriente no solo, em especial o Fósforo, pois recomenda-se reposição, em caso de desequilíbrio, ou supressão, em caso de excesso.

No caso específico do Fósforo, os procedimentos de amostragens podem levar a interpretações errôneas com relação à disponibilidade do P para as plantas. A “precisão” é aumentada ou o “erro” será reduzido, quando considerado um sistema de avaliação química da fertilidade que possibilite o equacionamento conjunto das variabilidades horizontal e vertical.

Variabilidade horizontal

No exemplo a seguir verifica-se uma amostra dessa variação quando se pratica a agricultura de precisão, onde se constata as mais variadas amplitudes do Fósforo no solo. Ressalta-se que a amostragem ocorreu no horizonte entre 0-15 cm de profundidade, como normalmente as amostragens de solo ocorrem na profundidade entre 0-20 cm, espera-se que essas variações sejam intensificadas, comprometendo, ainda mais, o diagnóstico.

QUADRO 2 – VARIABILIDADE HORIZONTAL DO P NO SOLO

QUADRO 2 – VARIABILIDADE HORIZONTAL DO P NO SOLO

QUADRO 3 – VARIABILIDADE HORIZONTAL DO P NO SOLO

QUADRO 3 – VARIABILIDADE HORIZONTAL DO P NO SOLO

Variabilidade vertical

O resultado da análise química do P-disponível no solo sempre será expresso em densidade de concentração, ou seja, mg/dm3. Os laudos de análise de solo quando expressam os seus teores estarão revelando a disponibilidade por unidade de volume (dm3). A transferência desses resultados para o “todo” devem representar um volume de solo amostrado compatível com o histórico de manejo da área, o qual possibilita um diagnóstico correto, levando-se em conta os efeitos de diluição e concentração do elemento no horizonte ou perfil considerado. Exemplo dessa variabilidade pode ser visto a seguir:

QUADRO 4 – ESTRATIFICAÇÃO VERTICAL NA AMOSTRAGEM DO SOLO

QUADRO 4 – ESTRATIFICAÇÃO VERTICAL NA AMOSTRAGEM DO SOLO

Torna-se evidente que quanto maior a profundidade amostrada, maior o efeito de diluição do elemento na análise (menor densidade de concentração). Portanto, localizar a densidade de concentração da fertilidade do solo é a tarefa de um eficiente sistema de amostragem de precisão.

4- ARGUMENTOS: PONTUAIS

  • Considerando a localização do fertilizante fosfatado na profundidade superficial (0 – 10 cm) pode-se estar cometendo um equívoco frente àqueles solos que apresentam um gradiente de concentração em P, da superfície para a subsuperfície.
  • Sem avaliar a variabilidade espacial do P no solo, compromete-se todas as tentativas de recomendações assertivas.
  • Alterações no total da concentração de ânions inorgânicos, pela elevação do P, pode induzir redução no acúmulo em matéria seca, pois apesar da dinâmica do P no solo, o estado nutricional deve ser avaliado pontualmente, ou seja, balanço de P na planta, estará sempre na dependência dos demais nutrientes em cada fase.
  • Melhores diagnósticos sobre a fertilidade dos solos só serão conseguidos se nas amostragens forem contempladas as variabilidades horizontal e vertical.

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1 comentário

  1. Ireno Pacheco Viero

    Bom esclarecimento sobre micronutrientes no caso Boro, necessitamos mais informações sobre outros elementos, como detectar suas deficiências na cultura da soja.